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3 obras de arte famosas que escondem detalhes surpreendentes

Gênio é aquele que além de fazer obras de arte incríveis e monumentais, ainda esconde nelas detalhes de fazer cair o queixo. Sempre me sinto com se estivesse em um ato solene quando visito um museu. As pessoas andam para lá e para cá a esmo, mergulhadas em um sentimento difuso de respeito pelos artistas responsáveis pelas obras expostas de séculos atrás. Mesmo se você não entende muito de arte – e, acredite, eu me incluo nesse grupo – vai sentir esse clima de solenidade e provavelmente imaginar os artistas como figuras sérias e dignas. Quase como semideuses, comprometidos com a técnica, com o belo e com a perfeição.

No entanto, se você olhar com atenção vai encontrar detalhes que provam que, além disso, muitos artistas eram comprometidos com esconder o maior número possível de referências e detalhes surpreendentes dentro de suas obras. Coisas que costumam passar batido pelos nossos olhos pouco treinados. E, veja só, alguns deles até que tinham um ótimo senso de humor. Como por exemplo…

Michelangelo retratou o seu maior crítico como um demônio que guarda as portas do inferno, no afresco O Juízo Final

O ano era 1541 e Michelangelo, um artista respeitado já na faixa dos sessenta anos, passara os últimos cinco anos trabalhando no seu monumental afresco O Juízo Final, na parede do altar da Capela Sistina. Foram anos de muito trabalho, dedicação e, como era comum na arte renascentista, centenas de genitálias desenhadas com primor e riqueza de detalhes nas mais variadas figuras que representavam santos, demônios e almas pecadoras no afresco.

Mais de 400 delas para ser exata

No entanto, havia uma pessoa que não estava nem um pouco feliz com toda essa riqueza de detalhes. Biagio da Cesena era mestre de cerimônias do papa, oficial responsável por supervisionar os serviços realizados na capela e garantir que as obras respeitassem a santidade do local. Coisa que ele não achou que a obra de Michelangelo fazia, com todas aquelas pessoas nuas em pêlo. Infelizmente para ele, suas observações foram desconsideradas e, para piorar a situação, Michelangelo, mordido pelas críticas, retratou Biagio no afresco como Minos, o demônio responsável por julgar e receber os pecadores no Inferno (completo, com uma cobra agarrada no ding-a-ling e orelhas de burro).

Nenhuma vingança é mais doce do que imortalizar a figura do seu inimigo como um babaca nas paredes do Vaticano

Leonardo da Vinci escondeu uma melodia na Última Ceia

O afresco A Última Ceia retrata Jesus e seus apóstolos aproveitando a – você adivinhou – última ceia antes que Jesus fosse preso e crucificado. É provavelmente uma das mais conhecidas obras de Da Vinci, um sujeito tão genial que conseguiu se destacar em onze áreas de conhecimento diferentes (ciência, matemática, engenharia, anatomia, pintura, escultura, arquitetura, botânica, poesia e música), além de ter ganhado a fama de fazer de suas obras elaborados jogos dos 7 erros, escondendo pequenos segredos aqui e acolá.

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Não, nenhum deles é o fato de que Jesus Cristo era casado e teve filhos com Maria Madalena

Em 2007, o técnico de computação italiano Giovanni Maria Pala afirmou ter descoberto um deles. Ao desenhar cinco linhas de partitura sobre a imagem, Pala descobriu que os pedaços de pão e as mãos de Jesus e dos apóstolos no afresco se alinham como notas musicais. Tocadas da direita para a esquerda, como era hábito de da Vinci, o arranjo faz sentido musicalmente e soa solene, como um canto de réquiem. Especialistas nas obras de Leonardo dizem que a teoria é plausível, dado que o artista também era um músico talentoso.

Então, basicamente, da Vinci fez uma trilha sonora para uma de suas pinturas. Gênio

Rafael Sanzio retratou seus colegas renascentistas como personagens históricos, na obra Escola de Atenas (e ofereceu uma prévia da Basílica de São Pedro 100 anos antes de ela ficar pronta)

Escola de Atenas é um dos trabalhos mais conhecidos do famoso artista renascentista Rafael Sanzio. Composto de quatro afrescos principais, o painel retrata quatro ramos distintos do conhecimento – a Filosofia, a Poesia, a Teologia e o Direito. Em cada um dos afrescos, são retratadas diferentes figuras do conhecimento – como Sócrates, Platão, Pitágoras – e muitos deles recebem emprestado as feições de alguns camaradas renascentistas de Rafael.

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A identidade das figuras não foi confirmada por Rafael, por isso existem diversas hipóteses para cada uma delas (apesar de a presença de Aristóteles e Platão ser certa). De acordo com a interpretação mais aceita, a numeração acima mostra duas vezes o próprio Rafael (em 3 e 20), Michelangelo (em 13), Leonardo Da Vinci (em 14), Giuliano da Sangallo (em 15), Donatello (em 17), Donato Bramante (em 18) e Baldassare Castiglione (em 19).

Além de incluir seus colegas no afresco, Rafael fez mais ainda. De acordo com o pintor Giorgio Vasari, Donato Bramante – o arquiteto responsável pela reconstrução da Basílica de São Pedro, no Vaticano – ajudou Rafael na arquitetura do prédio do afresco e há quem diga que ele passou para o pintor o modelo que havia criado para a reconstrução da basílica. Se isso for verdade, Bramante escondeu no trabalho de Rafael uma prévia de uma obra que só ficaria pronta dali a 100 anos.

Sinceramente, gênio é pouco.

Esse texto foi publicado originalmente no Nó de Oito, parceiro da Lampião. Acesse o site deles e confira mais uma série de posts incríveis! :)

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