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Cuba é primeiro país a eliminar a transmissão de HIV de mãe para criança segundo a OMS

Cuba se tornou o primeiro país no mundo a ter eliminado a transmissão do vírus HIV e da sífilis de mãe para filho, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os países do Caribe garantiram mais acesso a drogas antiretrovirais nos últimos cinco anos com o intuito de eliminar a transmissão no parto e nos primeiros meses da criança. Segundo a OMS, a cesária e a substituição do leite materno também contribuíram para quebrar essa corrente de transmissão.

Para Margaret Chan, diretora geral da OMS, esse é “um dos maiores feitos de saúde pública”. Em entrevista ao The Guardian, Carissa Etienne, diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), disse que “a conquista de Cuba proporciona inspiração para outros países avançarem no sentido de eliminar a transmissão de HIV e sífilis de mãe para criança”.

“Tudo foi possível por nosso sistema social e pela vontade política desde o mais alto nível”, disse o ministro de Saúde Pública de Cuba, Roberto Morales, em entrevista a jornalistas na sede da OMS, em Washington. “Isso permitiu que um país com poucos recursos tenha feito essas conquistas”. Morales acredita que o sistema público de saúde cubano — “gratuito, acessível, regionalizado e integral”, ele reitera –, elogiado em todo o mundo, foi preponderante para que o país alcançasse esse feito.

Anualmente, em todo o mundo, cerca de 1,4 milhões de mulheres com HIV ficam grávidas. Sem o tratamento, a chance de transmissão durante gestação, parto ou amamentação é de 15 a 45%. O risco diminui apenas 1% se a mãe e o bebê forem tratados com antiretrovirais. Segundo a UNAids, mais de 35 milhões de adultos e crianças no mundo são portadores do HIV. A taxa de infecção, porém, tem diminuído: em 2013, aproximadamente 2,1 milhões se tornaram HIV positivas, enquanto em 2005 foram quase 3 milhões.

Em 2013, por exemplo, apenas duas crianças nasceram com HIV em Cuba. Os avanços da medicina e o acesso aos medicamentos e tratamentos de todos fazem com que toda a população possa se beneficiar das descobertas, diferentemente de países em que os sistemas privados de saúde ainda prevalecem. Cientistas afirmam que o feito de Cuba é um dos maiores colaboradores para se erradicar a Aids no mundo.

Foto de capa: Philippe Huguen/AFP/Getty Images

Gabriel Hirabahasi

Gabriel Hirabahasi

Jornalista, unespiano e amante das piores piadas do mundo. Acredita que cada história mereça ser contada por inteiro (mesmo que isso demore um pouco). Também é músico, prolixo e esperançoso.

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