Dilma Rousseff

Foda-se o pronunciamento: pelo veto da Lei da Terceirização

O dia mal amanheceu e já começaram as especulações: será que ela vai ou não vai se pronunciar? Já sabíamos que não. Se é devido à ultima experiência, no Dia da Mulher com o ~panelaço~, se é por outro motivo, não sei. O fato é que a presidenta Dilma optou por não falar para o povo brasileiro em cadeia nacional neste Dia do Trabalhador. Porém, se pronunciou em três vídeos que circularam nas redes sociais: um enfatizando a valorização do salário mínimo nos últimos 13 anos de governo do PT, outro defendendo a regulamentação do trabalho terceirizado, mas não de forma irrestrita como foi aprovada pela Câmara, e o último dando apoio às manifestações e criticando a violência.

Sinceramente, por que tanto esperar um pronunciamento formal, que seja transmitido em tempo real, para o país todo? E, mais que isso, por que será que insistimos em deixar nas mãos do(a) presidente(a) a responsabilidade de se pronunciar e assumir os erros e indicar caminhos? E as outras instâncias? E os governadores? Os prefeitos? Que talvez devessem estar tão ou mais próximos dos trabalhadores do Brasil em um dia como hoje.

Se bem que nesta semana percebemos que tal proximidade se dá, em muitos casos, quando é para reprimir. Os professores do Paraná que o digam. Levar bomba na cara e cacetada na costela da Polícia Militar, a mandado do próprio (des)governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), é o mais próximo que o trabalhador brasileiro obteve de nossos governantes nos últimos dias. E se for pra ser assim, melhor deixar tudo bem longe, não é mesmo?

Reflexões à parte, não sei vocês, mas pra mim foda-se o pronunciamento formal da Dilma. Ou de qualquer outra figura política. Pra quê? Hoje, o que eu gostaria mesmo, do fundo do meu coração, era de ver medidas concretas, sem ladainha. O que você pode fazer por nós nesses dias que seguem o Dia do Trabalhado, presidenta, é vetar a Lei da Terceirização caso ela passe pelo Senado. E espero que esse seu vídeo de hoje seja um indício de que isso acontecerá. Afinal, pra mim, muito mais valioso do que qualquer palavra, foi a sanção da Lei do Feminicídio no Dia da Mulher e a publicação do decreto de homologação de terras indígenas e abertura do concurso para a Funai no Dia do Índio. Se tanto precisamos de dias específicos disso ou daquilo, #ficaadica.

(Foto de capa: Creative Commons)

Carolina Rodrigues

Carolina Rodrigues

Jornalista em (trans)formação, apaixonada por escrever, fotografar e curtir um som. Acredita que a beleza está nos detalhes e que a vida faz mais sentido durante uma boa viagem.

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