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Holofote: Jéf

Jéferson de Souza tem um talento que vai além do violão, guitarra ou da própria voz. Cada verso que canta é carregado de toda sua sinceridade. Sua música tem vida. Mais que notas precisas, harmonias bem elaboradas ou estrofes rebuscadas, suas canções são tão cativantes pois não são apenas palavras: são emoções.

Caso você não faça a mínima ideia de quem seja Jéf, seu apelido, acredite: vale a pena conhecer o trabalho do gaúcho de 25 anos. Seu estouro foi no Breakout Brasil, reality show de música promovido pela Sony e com a participação de Supla, Bianca Jhordão e Lucas Silveira. Jéf foi o vencedor do programa e conseguiu a gravação de seu primeiro disco, “Interior”, com a produção de Lucas Silveira. O álbum já está disponível em streaming. Ele nos contou um pouco sobre o lançamento, o Breakout Brasil e, claro, sobre como começou com a música.

Não tem como fugir da primeira pergunta óbvia: qual é a sua história? Quando começou a ter contato com a música?

Sempre gostei de música. Sempre gostei de cantar, lembro que cantava desde pequeno, mas nunca passou pela cabeça que um dia faria isso da vida. Fiz um amigo na escola que tocava violão e a gente passava várias tardes tocando e tal, até que ele teve a ideia de montar uma banda. Comecei a tocar baixo e cantar, com 13 anos. Peguei gosto pela música e botei na cabeça que queria fazer isso. A banda durou uns 10 anos, mas nunca conseguimos gravar nada, acho que por falta de comprometimento. Até que comecei a gravar minhas músicas “sozinho” e colocar na internet. Quando minha banda terminou, segui sozinho.

Como você trabalha o fato de ser um artista solo? A equipe que o acompanha está junta há quanto tempo?

Eu sempre corri atrás de tudo meio sozinho. Na minha banda era eu quem fazia as coisas todas. Então foi meio que um processo natural. No começo de 2014 montei a banda pra me acompanhar, com vários amigos, até que ficou meio que essa formação. Nós somos amigos, gostamos de tocar juntos, rola uma energia muito bacana. Acho que isso é o mais importante.

Como foram os bastidores do Breakout Brasil? Teve bastante interação com os outros grupos?

Ficamos presos em um hotel, sem celular e sem internet. Chegamos no hotel no domingo e só começamos a ter coisas pra fazer na quinta, então foi rolando uma interação muito legal. Depois com o programa, rolava muita interação no nosso lounge (onde ficávamos esperando o programa) e depois à noite, no hotel. Foi muito legal, muita gente boa. Fiz amigos lá que quero para o resto da vida. Lidávamos com a pressão do programa e muitas bandas ali procuravam se ajudar, e isso foi muito bonito.

Dá pra perceber uma mistura de indie, pop, rock e até um pouco de MPB na sua música. Quais são as principais influências pro seu estilo musical?

Ah, gosto de muita coisa. Tudo isso mesmo, indie, pop, rock, MPB. Tento criar minha música a partir dessas coisas que gosto de ouvir. Desde Roberto Carlos e Beatles, até Kodaline e Angus Stone. Por aí vai…

Como você vê o cenário musical brasileiro alternativo? Por ser um país muito grande, há muita produção e relativa pouca divulgação dos trabalhos. É muito difícil viver de música hoje em dia? Há quanto tempo você decidiu seguir a carreira musical?

É difícil. Comecei agora, desde o ano passado tenho conseguido seguir esse caminho. Mas é bem complicado. A gente tem que encontrar meios para divulgar, criar público e conseguir tocar por aí.

Como foi a ajuda e acompanhamento do Lucas Silveira para a produção do seu álbum?

Foi muito legal. O Lucas “abraçou” a causa. Ele meio que entrou pro projeto durante o período. Tocou, ajudou a construir, compôs, cantou. Enfim, viveu o meu trabalho junto comigo. Isso foi muito bom. Ele é um dos caras mais gente boa que eu conheço. Super talentoso e trabalhador. Fiquei muito feliz com o resultado.

Sempre que conversamos com um artista, é inevitável perguntar como funciona o seu processo criativo. Você costuma ter mais “lampejos” de criação ou é um trabalho mais árduo de sentar e ficar dias escrevendo uma mesma canção?

Ah, é meio relativo. A ideia surge muitas vezes do nada. Ai corro pra pegar o violão ou alguma coisa pra eu anotar a ideia, ou até gravar a melodia no celular. Se a ideia fica muito tempo martelando, eu vou lá e tento terminar um dia. Se não, eu jogo fora. Se não ficar na minha cabeça e eu não enjoar, acho que é algo utilizável.

Quais são suas inspirações para compor? Você já tem bastante coisa escrita e a ser produzida?

Me inspiro muito no cotidiano. Nas coisas que sinto e quero contar. Tenho bastante coisa escrita, sim. Comecei a compor desde que comecei a tocar. Tenho muita música guardada que hoje já não acho tão legais e provavelmente nunca gravarei. E tenho um monte de rascunhos gravados no celular e letras em blocos de notas. Mas mesmo assim, estou sempre tentando compor algo novo, procurando ter ideias novas para músicas. Estou com o próximo disco em processo de criação na cabeça já. Vai ser legal =)

Gabriel Hirabahasi

Gabriel Hirabahasi

Jornalista, unespiano e amante das piores piadas do mundo. Acredita que cada história mereça ser contada por inteiro (mesmo que isso demore um pouco). Também é músico, prolixo e esperançoso.

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