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Playlist: Arte de rua

Muitos artistas encontram na rua uma forma de se expressar e de se apresentar sem depender de alguém lhes ceder um espaço ou um horário para mostrar sua arte. É dessa forma que vários músicos começam sua carreira artística, seja para ganhar um dinheirinho ou só para se divertir. Ouça cinco artistas que iniciaram dessa maneira e veja dois clipes que retratam um pouco da arte nas ruas. Escute nossa playlist no Spotify!

B.B. King – 3 O’Clock Blues

O que o jovem Riley B. King fazia para conseguir uns trocados? Isso mesmo, tocava nas esquinas das ruas e chegava a se apresentar em até quatro cidades por noite. Por volta dos 22 anos de idade, foi para Memphis seguir carreira musical e virou DJ em uma rádio. King deixou seu nome de batismo para trás e foi apelidado de “Beale Street Blues Boy”, em referência à Beale Street, rua na região central de Memphis que reunia os entusiastas de música, particularmente com estilo do blues. Logo o apelido foi encurtado para “Blues Boy” e, em seguida, simplesmente “B.B.”. King faleceu em maio deste ano, mas seu primeiro sucesso, “3 O’Clock Blues”, continua entre nós.

Tracy Chapman – Fast Car

Em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos, há uma praça chamada Harvard Square, onde vários artistas de rua tentam se apresentar devido ao grande número de pedestres passando o tempo todo. ‘Tentam’ porque não é tão simples assim: o local é tão concorrido que os artistas precisam de uma permissão do Conselho de Artes de Cambridge para poderem mostrar seu talento por lá. Tracy Chapman, durante seus anos de estudante da Universidade Tufts, conseguiu sua permissão e frequentemente era vista cantando e tocando violão nessa praça. Outro estudante da Tufts, Brian Koppelman, virou fã da artista ao vê-la cantar e apresentou-a ao seu pai, Charles Koppelman, que a contratou e ajudou-a a fazer parte do catálogo da gravadora Elektra Records, em 1987, quando Tracy se formou na faculdade. No ano seguinte ela lançou seu álbum de estreia Tracy Chapman, sucesso de público e crítica, de onde saiu o hit “Fast Car”.

Rod Stewart – Maggie May

Rod Stewart tinha dois caminhos para seguir profissionalmente: ser jogador de futebol ou músico, já que, segundo ele mesmo, essas eram as duas coisas que ele sabia fazer. Depois de ser rejeitado pelo time Brentford F.C., ele decidiu que seguiria carreira na música. Não que tenha sido mais fácil, já que as primeiras bandas das quais ele fez parte também não deram certo. Aí foi a vez de partir para a rua: ele se juntou ao cantor de folk Wizz Jones e eles começaram se apresentando em espaços públicos de Londres. Em seguida, começaram um tour de 18 meses pela Europa como artistas de rua, chegando até a dormir embaixo de pontes. O passeio acabou quando Rod foi deportado em Barcelona. Mas tudo bem, afinal, ao voltar para Londres, as coisas começaram a engatar e, em 1971, seu primeiro álbum solo Every Picture Tells a Story chegou ao primeiro lugar das paradas britânicas e americanas junto ao single “Maggie May”.

Jesuton – I’ll Never Love This Way Again

Jesuton é britânica, mas foi nas ruas do Rio de Janeiro que ela encontrou seu verdadeiro palco. Depois de estudar na Universidade de Oxford e trabalhar em uma ONG em favor dos direitos de indígenas peruanos, a cantora chegou ao Brasil por, segundo ela, sempre ter tido “curiosidade sobre a América Latina”. Ela cantava em lugares como o Largo do Machado e o Largo da Carioca, na capital fluminense, sem muitas pretensões até ser levada ao programa Caldeirão do Hulk, da Globo, e ser contratada pela Som Livre. A sua versão da música “I’ll Never Love This Way Again”, por exemplo, virou trilha sonora da novela Salve Jorge.

Jewel – Who Will Save Your Soul

A cantora americana nasceu Utah, mas cresceu no Alasca e estudou em Michigan, onde aprendeu a tocar violão. Durante um período de sua vida, sua casa foi seu carro e ela decidiu rodar o país se apresentando nas ruas. Jewel, então, começou a fazer pequenos shows em cafés na região de San Diego, na Califórnia, e acabou assinando contrato com a gravadora Atlantic Records. Seu primeiro álbum, de onde o single “Who Will Save Your Soul” saiu, vendeu 12 milhões de cópias só nos Estados Unidos.

Vídeo: Dana McKeon – Street Art

Já o primeiro single da artista maltesa não se limita só ao nome na hora de se referir à arte de rua: a canção usa esse tipo de expressão artística como uma metáfora inteligente sobre as restrições e barreiras que alguém pode encontrar durante sua caminhada como artista. Afinal, nada desafia mais as normas já estabelecidas no meio artístico do que a arte no espaço público. O clipe da música embarca nessa vibe e mostra um exemplar de grafite reverso – em que não é necessário tinta para fazer a arte, já que o desenho é montado ao limpar certas partes da superfície em vez de aplicar algum material – feito em um muro especialmente para o vídeo. Além de cantora e compositora, Dana também é beatboxer e já foi vice-campeã da versão feminina do campeonato britânico de beatbox.

Vídeo: Seu Jorge – Tive Razão

Quem conhece o cantor fluminense sabe que ele flerta com o cinema também. Seu Jorge atuou em mais de dez filmes e, no clipe de “Tive Razão”, também usou esse seu talento para interpretar um músico de rua. Gravada em Roma, a breve história mostra Seu Jorge tocando e cantando a música para ganhar uns trocados. Mas ele consegue mais que isso: o artista ganha o cartão de um produtor, que pede para que ele entre em contato, e em seguida um esporro do padre que cuida da igreja na frente da qual ele se apresentava.

Vanessa Souza

Vanessa Souza

Comunicadora social, louca por sorvete de flocos e apaixonada por chocolate meio amargo. Acha que o feminismo pode melhorar o mundo e gosta de cantar para se alegrar, desestressar e sobreviver.

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