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Resenha: “O agente da U.N.C.L.E.” tem ação e humor, mas roteiro fraco

Confesso que nunca tinha ouvido falar de “O agente da U.N.C.L.E.”, a série que fez sucesso nos anos 1960. Cinquenta e poucos anos depois, Guy Ritchie dirige o filme homônimo e traz de volta o contexto da Guerra Fria e uma trama de espiões, com o tempero da velha disputa entre Estados Unidos e União Soviética.

Muita gente na casa dos 60 anos pode argumentar sobre o que o filme poderia ter sido e como a adaptação foi feita para o longa. Eu, com meus 22, fui ao cinema completamente aberto para ser surpreendido com a sessão. E até que fui.

Pelo nome (sempre acho trocadilhos em siglas algo muito tosco), esperava muito pouco: um humor fajuto, cenas com pouca emoção e um clichê de um espião que não serve para ser espião. Não que o filme seja uma maravilha — porque não é! –, mas, como minhas expectativas eram baixas, achei ao menos divertido.

“O agente da U.N.C.L.E.” (2015, 116 minutos) é estrelado por Henry Cavill, Armie Hammer, Alicia Vikander e Hugh Grant. O roteiro não é nada original: Napoleon Solo (Cavill) é um agente secreto da CIA e, em meio à Guerra Fria, recebe uma missão para combater uma nova ameaça nazista. No decorrer da trama, ele se encontra com Gaby Teller (Vikander), filha de um cientista, e com Ilya Kuryakin (Hammer), inicialmente um inimigo, que depois se torna um aliado.

O filme começa bem. Nas primeiras cenas, após encontrar Gaby, Solo percebe que estão sendo seguido. “Quando você ouvir o barulho de um tiro, corra”, ele diz para a alemã. E assim, com menos de 15 minutos de filme, a ação já toma conta da obra. Tiros, corrida de carro, derrapadas e fugas: um vintage da ação de “Velozes e Furiosos”, com carros e visuais mais antigos.

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As personagens também são interessantes. A primeira coisa que me chamou a atenção é que Solo é praticamente idêntico a Neal Caffrey, personagem da série “White Collar”, e também muito parecido com Patrick Jane, de “The Mentalist”. Muito provavelmente o personagem de “O Agente da U.N.C.L.E.” inspirou esse e tantos outras obras de investigação. Eles são bonitões, charmosos e não têm medo de enganar as pessoas. Assim como os dois personagens mais recentes (Caffrey e Jane), Solo também foi preso num momento da vida e teve a pena revertida como trabalho para o FBI.

Kuryakin é praticamente uma caricatura. No começo, o russo interpretado por Armie Hammer é completamente rude e tosco, parecendo um deboche à sua etnia. O personagem ainda tem alguns surtos psicóticos,, possibilitando um leque de emoções maior para o mesmo.

Gaby é quem proporciona a maior reviravolta nas quase duas horas de filme . Seu emprego como mecânica e seus conhecimentos e habilidades contestam o padrão da época (e atual) e o papel da mulher na sociedade. Apesar disso, ainda é perceptível na história que Gaby não é primeiro plano, afinal o  título é “O agente da U.N.C.L.E.”, e não “Os agentes da U.N.C.L.E.”, ou apenas “U.N.C.L.E.”.

Voltando ao roteiro, como um blockbuster de ação, algumas pitadas de humor são necessárias. Seja na discussão entre Kuryakin e Solo sobre a vestimenta para Gaby (a parte mais hilária, na minha opinião) ou na conversa entre os dois para decidir o que fazer com o tio dela (esta um pouco mais forçada), o filme consegue esboçar no mínimo um sorriso de vez em quando. As cenas de vai-e-volta, em que algo acontece e somente depois há uma espécie de flashback para explicar o porquê, são legais a princípio, mas no fim já não impressionam muito.

O final, aliás, foi o que mais me decepcionou. A clássica luta entre o principal herói e o vilão simplesmente não acontece (pelo menos não como eu imaginava). E quando você acha que a história vai chegar ao fim, ainda há mais, mas novamente falta a ação dos minutos iniciais.

Se você ficou na dúvida se deve assistir ou não, podemos dizer que “O agente da U.N.C.LE”  é um filme divertido.  Não espere nada como “Django”, por exemplo, que além de toda a ação ainda impressiona por tudo que há por trás, mas prepare-se para ter alguns minutinhos de entretenimento e algumas risadas sinceras.

 

Foto de capa: Divulgação

Gabriel Hirabahasi

Gabriel Hirabahasi

Jornalista, unespiano e amante das piores piadas do mundo. Acredita que cada história mereça ser contada por inteiro (mesmo que isso demore um pouco). Também é músico, prolixo e esperançoso.

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