Banksy Exit Through the Gift Shop limited movie poster

Saída pela loja de presentes ou como Banksy produziu um pseudodocumentário

Ao procurar no Google por Exit through the gift shop, documentário assinado pelo enigmático e indefectível artista de rua inglês Banksy, as críticas positivas são inúmeras e as indicações ao Oscar pululam. A primeira impressão que se tem é que o alegado documentário é imperdível para quem quer saber mais sobre o movimento da street art e seus expoentes. Ledo engano.

A primeira meia hora de documentário nos leva a crer de que Thierry Guetta, francês radicado em Los Angeles, tenta documentar o movimento da street art e alguns de seus expoentes, como Space Invader e Shepard Fairey, enquanto traz a importância dessa forma de arte para o movimento da contracultura, segundo a narração “considerada o maior movimento de contracultura depois do punk”. Os artistas, entre eles o ícone da street art, Banksy, concordam com a importância do trabalho de Guetta para a visibilidade da arte. O trabalho do videomaker, porém, era péssimo.

O restante do filme guia o espectador pela transformação de registrador em registro: quando Banksy pontua o fracasso do filme feito por Thierry, também sugere que ele crie sua arte. A partir desse momento, assistimos toda a criação artística e concepção de Thierry, que assume a alcunha de Mr. Brainwash.

Assessorado por um time dos melhores ilustradores, escultores e artistas, além de corroboração de Fairey e do próprio Banksy, MBW consegue deturpar todo o conceito da pop art, da banalização da imagem pop e também do significado da street art quando, copiando arte e produzindo sem nenhum conceito, ele inaugura uma megaexposição em Los Angeles e arrecada mais de US$ 1 milhão.

O documentário, indicado ao Oscar de Melhor Documentário em 2011, causa polêmica entre críticos até hoje, e não poderia deixar de fazê-lo, já que é uma obra prima de Banksy. Isso tudo porque, dizem por aí, ser um pseudodocumentário: Thierry Guetta não é real, Mr. Brainwash e toda a exposição promovida são obras do próprio Banksy. Toda a dinâmica do filme é engraçada demais, uma história perfeita demais para ser verdade, além de possuir uma estética extremamente condizente com o discurso de Banksy: a mercantilização da arte e a falta de significado nos movimentos sociais, sempre presentes em seus stêncils, toma forma quase palpável nesta obra. É sublime a maneira como o enredo nos atrai, e como estamos preparados para ridicularizar Guetta – que, dizem alguns, é o próprio Banksy – e sua infâmia tentativa de popularizar o pop e dessignificar o dessignificado, enquanto estamos ali, pote de pipoca na frente e entretenimento na tela.

O que fica da experiência de assistir Exit through the gift shop é um pouco de conhecimento sobre a street art, Banksy e a impressão de que, se somos manipulados por 90 minutos a pensar algo, como é possível que nos libertemos das amarras do pop mercantil que nos prendem há tanto tempo?

Imagem de capa: Divulgação

Marcela Busch

Jornalista e feminista com orgulho. Adora escrever, hard news, política, tem o sonho de trabalhar em Brasília e poder dizer que tem "fontes dentro do Palácio do Planalto". Ah, também ama gatos.

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