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Uma dose de possibilidade, por favor

 

“É impossível ser feliz sozinho…”

Minha vó materna sempre foi devota de Santa Rita. Quando minha mãe engravidou, ela rezou tanto, mas tanto, que eu acabei nascendo bem no tal do dia 22 de maio. Poderia ser algumas horas antes, algumas depois.. Mas não! Era pra nascer no dia da santa das causas impossíveis. Quase que um milagre se formos pensar que existem outros 364 dias no ano. Quase impossível.

Quando recebeu o telefonema, Dona Marlene pegou o primeiro ônibus de Uberaba para Franca e chegou a tempo de ser a “primeira a me pegar no colo”, como sempre insiste em me contar emocionada. E o impossível, aos poucos, foi se tornando possível.

Desde criança, gostava muito de fazer aniversário. Ter todas as pessoas que eu amava por perto (é claro que na época eu nem sabia conscientemente que era amor) e ainda ganhar vários presentes. Impossível não gostar, não é mesmo?! Exceto quando ganhava roupas… pra que roupa quando se pode ganhar brinquedos? Não fazia muito sentido.

E aí eu comecei a crescer. Mas o gosto pela comemoração seguiu o mesmo. Tornou-se quase que uma tradição fazer meu aniversário em casa, com comida da boa, amigos e família reunidos e mais presentes! Só que agora, amava ganhar roupas, mais que outras coisas. Como as coisas mudam né? De fato, é impossível não crescer.

15 anos é uma idade especial. Não fiz nenhuma dessas festas que são impossíveis da aniversariante aproveitar (já que tem uns 8627390 convidados). Convidei os mais próximos e nos emocionamos com o vídeo que minha mãe organizou, com fotos antigas, relembrando toda a minha vida. Impossível não chorar.

E assim foi também aos 18. Meu Deus, finalmente chegaram os 18! Ser maior de idade tornava tudo tão possível que era impossível não sentir o formigamento nas mãos de tanta vontade de agarrar o mundo. Mas algumas coisas simplesmente não mudaram: a boa comemoração, a companhia das pessoas que amo, o novo vídeo da mamãe. Afinal, é impossível mudar tudo.

A partir de então, comecei a pensar no que sempre me dizia a Gorda, minha segunda mãe que a vida inteira esteve cuidando de mim: “Cuidado, porque quando você faz 18 o tempo voa. Logo você vai estar doida pra voltar e ter 15 anos de novo!”. Gente, aquilo não fazia nenhum sentido! Impossível querer voltar. Quero mais é ter 20, entrar na faculdade, sair de casa. Quero mais ainda é ter 25, estar formada e trabalhando, ter minha própria casa. Quero mesmo é ter 30, casar, ter filhos, construir minha própria família. E aí vai. Quem não quer?

Eu sei que agora seria a hora de eu dizer que a Gorda estava certa, que hoje, com meus recentes 23 anos, eu gostaria de voltar no tempo, viver tudo de novo, consertar os erros e aproveitar mais cada momento… Mas, na boa, impossível! É quase que um pecado não pensar no agora. Mais que isso, de todas as outras causas, a mais impossível é não ser feliz… hoje. Afinal de contas, muito mais do que brinquedos e roupas, eu quero a possibilidade do impossível sempre que for possível. Pode ser?

Hoje, o brinde vai ser diferente!

Carolina Rodrigues

Carolina Rodrigues

Jornalista em (trans)formação, apaixonada por escrever, fotografar e curtir um som. Acredita que a beleza está nos detalhes e que a vida faz mais sentido durante uma boa viagem.

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